A banda de Zeuh/Progressive/Jazz Fusion francesa Magma, que apareceu pelo começo da década de 70, após anos de muita persistência, foi trazida ao Brasil em apresentação única em São Paulo, por um preço acessível, no Carioca Club Pinheiros (CCP) no dia 26 de novembro de 2017, na última apresentação da The Reset Tour.

Banner de apresentação do MAGMA em SP.

A produtora Overload (que precisa ser aclamada) trouxe a banda pela primeira vez ao Brasil depois de outras concorrentes falharem miseravelmente. A campanha para o show foi um sucesso e ele de fato aconteceu – algo que nos criou a pira de que estávamos todos chapados e que tudo aquilo era uma “brisa coletiva”, pela surrealidade da apresentação da banda no Brasil.

O grupo ainda conta com dois membros originais, sendo eles o baterista Christian Vander, o fundador do conceito, da linguagem e da banda, e a vocalista Stella Vander.

Christian Vander, o fundador da banda em seus caras e bocas.

O que há de se admirar é o amor que Vander têm para executar as obras que são verdadeiros testes de resistência mesmo com a sua idade, e também com o fato da banda nunca ter mudado seu estilo e continuando por 47 anos com sua sonoridade única, inclusive na interação performática ao vivo, mesmo com a alteração de 15 músicos desde a sua formação inicial.

Ainda diferenciado da formação original por novos integrantes e sem Zabuma das vocalistas que se machucou no Chile, a execução das obras ocorreu perfeitamente com o máximo de detalhes.

Hervé Aknin, Christian Vander, Philippe Boussonnet, Stella Vander e Jérome Martineau-Ricotti.

O guitarrista, Rudy Blas, apresentou solos e riffs dinâmicos e técnicos que dialogavam com os vocais de Stella e Hervé Aknin, além de honrar o legado dos guitarristas que já passaram pela banda com seu talento. Já Christian dominava com sua bateria jazzy que dava peso, profundidade e personalidade, onde não readaptava nada do seu estilo ou na sua pegada, sendo notável principalmente na execução de M.D.K na íntegra e também com seu vocal profundo, espiritual e técnico.

Stella Vander e Rudy Blas.

Benoit Alziary trazia uma atmosfera de maior diálogo com o Jazz pelo uso do vibraphone, que também remetia ao uso original nos álbuns Mëkanïk e no Ẁurdah Ïtah (partes da peça Theusz Hamtaahk), que também acompanhava e preenchia a sonoridade do teclado Roland de Jérome Martineau-Ricotti, que estava sendo usado como MIDI-Controller, operando um VST de um piano Rhodes em um Macbook, o que aparentemente não estava nos planos, já que foi utilizado um Nord Electro no Chile. Por último, porém não menos importante; o baixista, Philippe Bussonnet não deixava a desejar com o timbre intenso e pesado do seu Jazz Bass dado às harmônias feitas junto à Vander.

Benoit Alziary.

Os músicos foram ovacionados no palco após a saída falsa, com pedidos calorosos de encore com direito ao coro de ‘Kobaïa’, a música que inicia o Debut Album de 1970. A banda ameaçava não tocar, falando que iam “tocar uma baladinha”, mas a surpresa foi a melhor, com o dito tema interplanetário e interdimensional.

Ao todo, o repertório foi a execução de 4 faixas:

  • Theusz Hamtaahk
  • Mëkanïk Dëstruktïẁ Kömmandöh
  • Ëmëhntëhtt-Rê

Encore

  • Kobaïa

No pós-show ainda podia-se (pelo menos tentar) conversar com os músicos, pedir autógrafos e fotografias. A parte mais difícil era a de falar com os músicos, pois os mesmos não entendiam inglês muito bem, além de que, franceses não possuem muito afeto ao idioma inglês. Mesmo assim, os músicos foram muito amistosos com os fãs.

“Tchauzinho” de Vander registrado no pós-show pelo redator.

Algumas questões na casa desapontaram um pouco, como a iluminação e o som (o medo de desconfigurar a mesa era grande, pois sem som, não rola o pagodão). A iluminação meio ruim deixava os músicos que ficaram na borda do palco em uma umbra infinita, o que era uma tristeza nas fotos, e até por isso, foi um tanto difícil fotografar o Alziary, já que ele se apagava no posicionamento no palco. Todos os registros gráficos foram feitos pelo fotógrafo Marcos Vinicius Troyan. 

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Vinicius Franco

Vinicius Franco, nascido em 1999 na zona leste de SP, traz consigo uma notável influência estilo de vida do fim da década de 60, também esboça um grande amor às artes e à contracultura conceitual se fixando fortemente ao beatnik e ao movimento gerado pelo progressivo/psicodélico. Ainda hoje ele afirma ter se reunido com Allen Ginsberg e William Burroughs.