Usando aproximadamente 100 horas de material que permaneceu arquivado por quase vinte anos, a Netflix documenta os bastidores da produção do longa O Mundo de Andy (1999) focando nos conflitos pessoais de Jim Carrey durante as gravações e em sua jornada de auto conhecimento após a realização do filme que trouxe uma das performances menos conhecidas do ator, porém uma das mais envolventes e enigmáticas.

Jim ficou encarregado de interpretar o excêntrico comediante americano Andy Kaufman (1949-1984) mas a personalidade e proposta de Andy encarnadas no corpo de Jim Carrey transcenderam os limites das filmagens e do estúdio. O ator permaneceu no personagem mesmo durante os bastidores chegando ao ponto de não aceitar ser chamado de Jim e sim de Andy, ou de Tony Clifton, um personagem criado pelo comediante.

Acontece que o humor de Andy era baseado em sua capacidade de irritar as pessoas e deixa-las desconfortáveis mas os conflitos pessoais do comediante também vinham a tona, já que Jim Carrey interpretava uma pessoa real, não um mero personagem vindo de uma folha de papel. O resultado disso foi uma equipe de produção enfrentando uma dose diária de raiva e comoção.

Andy Kaufman, à esquerda, e Jim Carrey, à direita.

O documentário Jim & Andy relaciona diversos pontos da carreira de Jim Carrey com a experiência de incorporar o pregador de peças Andy Kaufman, trazendo a importância deste trabalho para a vida profissional e pessoal do ator. A trilha sonora é um bônus apaixonante, já que conta com releituras de músicas do R.E.M. como ‘Man On The Moon’, que por sinal serviu de inspiração para o título original do filme, e ‘The Great Beyond’. Ambas as canções têm a vida e o trabalho de Kaufman como base criativa.

Uma jornada profunda no conhecimento da psiquê acompanhada de reflexões intrigantes sobre a vida e a relação entre as pessoas encerra o filme nos fazendo lembrar que esses conflitos se estendem para além do cenário da atuação e atingem todas as pessoas.

Jim and Andy: The Great Beyond (2017)
EDITADO PORYuri Resende
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Lucas Costa

Deadhead e amante de filmes de terror (embora pouquíssimos me agradem)