Liga da Justiça (2017)

O mais Marvel dos filmes da DC

Sem dúvidas, vivemos em um momento de glória para os filmes de herói em geral. Se olharmos as 10 maiores bilheterias da história do cinema, duas são de longas do gênero (curiosamente ambos da Marvel). Poderíamos, desta forma, culpar um diretor ou uma produtora que se entrega ao modelo padrão de hoje, de forma acomodada ou sem se arriscar demais (como em Batman vs Superman)? É um tema controverso, porém reflexivo.

Liga da Justiça – infelizmente – não quer, e não tenta ser um filme diferenciado, acaba se tornando exatamente o que citei: um filme padrão. Segue a fórmula Marvel de ser e aposta no fácil, no que vende e no que a crítica especializada costuma aceitar. Exemplos claros são as notas do Rotten Tomatoes, nas quais as notas dos filmes da Marvel são superiores às da DC. Isso causou e ainda causa muitas discussões entre os fãs, é algo que de forma frequente vemos nos veículos de comunicação e redes sociais.

O longa segue os acontecimentos dos filmes anteriores da DC, Mulher-Maravilha e, principalmente, Batman vs Superman. Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca sua nova aliada Diana Prince para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Zack Snyder assume novamente a direção, porém, desta vez com uma construção diferente da usual. Aqui não é seguido o parâmetro sombrio que ele consolidou para este universo, talvez por influência de sua saída, por motivos pessoais, da produção do filme (sendo substituído por Joss Whedon – conhecido pelos dois primeiros filmes da franquia Vingadores). As cenas de ação, que são consideradas especialidades no currículo de Snyder, aqui também não impressionam. Nada além do que já não tenhamos visto, e de forma menos chamativa.

Há vários comentários do público e da crítica sobre o tom de comédia do filme, sendo comparado até com filmes da Marvel, contudo, acredito que não se compare. Aqui a comédia é harmônica com o filme, não é excessiva e não há em momentos importunos (como acontece na maioria dos filmes da Marvel). Diretor e roteiristas conseguiram encontrar um equilíbrio entre isso, o que é sempre algo a se elogiar.

A dinâmica do grupo é um dos fortes do longa, pois todos estão confortáveis com seus personagens, demonstrando essa química não apenas nos diálogos, mas também na dinâmica das lutas. O que faltou realmente foi ver um pouco mais o trabalho conjunto do grupo, no sentido de ver os personagens trabalhando juntamente usando seus “poderes” para enfrentar as ameaças. Há pouco disso, que é essencial para um trabalho em equipe. O vilão do filme deixa a desejar, genérico e com uma ambição genérica (destruir o mundo). Deveriam ter usado o Darkseid como o antagonista do filme para, assim, trazer um peso ainda maior para toda a atmosfera do universo.

Os efeitos especiais – tal como em Mulher-Maravilha – deixam a desejar, especialmente em cenas mais grandiosas de ação, nas quais os personagens se tornam meros bonecos, e isso é realmente visível. Talvez isso venha novamente dos problemas de produção e das mudanças na construção do filme, as quais dizem os boatos que até o tom obscuro foi modificado após a saída de Snyder. Não só o tom, mas também algumas cenas e até mudanças no enredo (Joss Whedon está creditado pelo roteiro também).

No fim das contas, Liga da Justiça é mais um filme de herói esquecível e que não causará discórdia ou controvérsia, nem debates entre os fãs e a crítica especializada. A DC preferiu seguir o caminho “mais fácil”, e entregou um produto bom, mas não diferente, e muito menos impactante do que deveria – pela questão da união dos heróis da Liga pela primeira vez no novo universo da DC.

Liga da Justiça (2017)
EDITADO PORRafael Serfaty
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Otavio Gaudencio

Estudante de psicologia, considerado por muitos um “cinéfilo” e um “fanático por Quentin Tarantino”, 20 anos de idade e niilista desde os 18.