Após longo tempo de espera, o Quinquilharia Degusta! está de volta. Nesta seção do site, integrantes do Grupo Quinquilharia tecem suas opiniões de maneira mais sucinta sobre lançamentos e grandes acontecimentos. Rafael Serfaty, João Paulo, Otávio Gaudencio e Yuri Resende darão suas opiniões sobre o filme da Liga da Justiça, abordando seus prós, contras e fornecendo suas considerações finais. Se você está buscando ler a crítica oficial deste portal para o filme, clique aqui. Confira abaixo as opiniões de nossos redatores!

1. PRÓS

Rafael Serfaty

Os personagens são cativantes e possuem boa química, sendo que a narrativa, auxiliada pelas boas cenas de ação, possui um ritmo adequado, sem se tornar cansativa. Aqui, a câmera lenta não é excessiva, que nem na maior parte de sua filmografia, aparecendo nos momentos certos. O já mencionado tom mais leve está bem encaixado, sem soar forçado, se utilizando principalmente da figura do Flash para tal, já que este é o alívio cômico. Aliás, Ezra Miller dá carisma suficiente ao seu personagem, grata surpresa. O elenco inteiro, no geral, se sai bem, o que já era de se esperar com tantos nomes de peso envolvidos. Gal Gadot é a melhor, ótima como Mulher-Maravilha, mesmo sendo uma atriz de poucos recursos. Ela e Ben Affleck preservaram a ótima interação entre Diana e Bruce, com direito a sugestão de tensão sexual, sem que eles precisem de fato se envolver. Vale ressaltar, a segunda cena pós-créditos precisa ser vista por qualquer fã.

João Paulo

Os personagens mais importantes da história em quadrinhos estão no filme. Logo, mesmo se o filme for péssimo, os personagens por si só conseguem segurar o nosso interesse pelo fiapo que é a trama. Na escolha de elenco, a Warner/DC acertou a mão. Os atores são extremamente carismáticos e encarnam os heróis de maneira satisfatória. O visual dos heróis também é um ponto positivo. O figurino dá um tom mais colorido ao universo, equilibrando bem o sombrio característico da DC com algo mais leve dos quadrinhos.

Otávio Gaudencio

A dinâmica do grupo, todos os personagens são bem estabelecidos e a química entre eles é fluida, natural. Nenhum destoa e nenhum fica de lado, todos são bem distribuídos no filme. Ezra Miller é um ator extremamente carismático, dando destaque ao alívio cômico Flash. A maioria de suas piadas funcionam e ele consegue encontrar o equilíbrio certo para o herói, sendo certamente o personagem que mais me interessou no filme. A cena do retorno do Superman é sem dúvidas uma das melhores – se não a melhor – do filme. É interessante a escolha desta cena para reforçar e demonstrar o real poder do herói, pois na cena os demais personagens trabalham juntos para parar o Homem de Aço e ainda assim não conseguem. Por fim, a abertura pra continuação, o final e as cenas pós-créditos me deixaram bem animado pro futuro desse universo, foi algo gratificante.

Yuri Resende

A química entre as personagens é bacana, incontestavelmente. A direção também acerta em alguns momentos bem pontuais como a abertura, a cena do retorno do Superman e o desfecho (embora esvaziado de um sentido concreto). As piadas foram bem inseridas, embora o Flash pareça sofrer de algum retardo em determinados momentos. De modo geral, acredito que os acertos de Liga da Justiça são mais sobressalentes que seus defeitos.

2. CONTRAS

Rafael Serfaty

A construção de personagens é precária, se dando não só pela duração de apenas duas horas como também pela decisão do estúdio de fazer filmes solo de apenas parte dos personagens em questão, exigindo conhecimento prévio do espectador. Não por acaso, o roteiro é apressado e inconsistente, até pela montagem problemática, como de praxe em filmes do Snyder. Ademais, há um núcleo de uma família totalmente inútil, como se o resto do mundo não fosse afetado pela invasão. Gostei de usarem as músicas-tema clássicas de certos personagens no decorrer do longa, infelizmente é uma trilha sonora genérica excetuando, talvez, “Come Together”. Todavia, mais grave do que todos os elementos citados é o patético vilão, totalmente genérico e de motivações igualmente genéricas (deter um artefato que lhe dá poder e destruir o mundo). Seu CGI, assim como o de seus capangas, é deveras excessivo, soando claramente artificial.

João Paulo

O filme desperdiça a chance de ter Mulher-Maravilha, Superman, Batman, Aquaman, Ciborgue e Flash em tela com uma trama totalmente genérica. A Liga da Justiça não poderia, em hipótese alguma, ser uma “aventura descompromissada” como pretendeu essa “nova” versão do filme feita pela cabeça dos executivos. Repito: são os maiores heróis da história dos super-heróis. Para se unirem, precisava de mais do que um vilão sem envergadura alguma, com uma motivação que até agora não entendi e feito com uma computação gráfica nível cutscenes do Playstation 2. Muito ruim. Além do que o filme não tem alma. Não tem emoção. Excesso de piadas soam forçadas. Elas deveriam ser orgânicas e pontuais, para quebrar algum momento de tensão (que não existe no filme). Dito isso, a ressurreição do Superman é patética, foi um dos maiores desperdícios de potencial dramático que já vi na vida. O arco que Zack Snyder iniciou em O Homem de Aço fazendo paralelos entre o herói e a figura de Cristo, que foi reforçado pelo sacrifício do herói em BvS, perdeu totalmente a força com uma ideia e uma cena fraca e sem emoção alguma.

Otávio Gaudencio

O ritmo é destoante, percebe-se que há duas mentes trabalhando, dois diretores “lutando” e isso resulta em algo desarmônico. Há vários momentos que não conversam entre si, e outros que é possível perceber que foram modificados. Outro problema é a diferença dos personagens deste filme para os demais, principalmente o Batman. Não é mais o Batman que vimos em Batman vs Superman, aqui temos um morcego piadista, que não perde a deixa para soltar uma piadinha em momento inoportuno (“eu acho que sangrei”). Os efeitos especiais deixam a desejar, pois o vilão e várias cenas de ação parecem ter sido retiradas diretamente de um jogo. Por último, temos um antagonista genérico e fraquíssimo, que de forma alguma ameaça a Liga pela sua grandeza. É um vilão minimalista para o que esse filme necessitava.

Yuri Resende

Seria hipócrita de minha parte afirmar que Liga da Justiça não peca em momento algum. O ritmo do blockbuster em seus primeiros trinta minutos é vagaroso e a apresentação dos personagens que ainda não obtiveram seus respectivos filmes solo é rasa e ligeira. Compreendo que não era um dos objetivos do longa, mas a DC incorre no mesmo erro que cometeu em Esquadrão Suicida neste ponto. Por sua vez, Steppenwolf, vilão do longa, é extremamente fraco e sem propósito definido na história. No fim, principalmente com a chegada do Superman, parece que assistimos a uma grande desculpa para o Batman tirar o peso das costas. Alô, Warner! Precisa-se de roteiristas bons!

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Rafael Serfaty

A mudança de tom é visível aqui, se comparado aos demais filmes do DCEU, o que mostra um estúdio covarde, querendo apostar no que tem dado mais certo, jogando suas convicções no lixo. Mas isso quer dizer que é ruim? Não, pelo contrário, dentro do que se propõe, é sim um bom filme, eficiente como diversão descompromissada. Acho que a melhor definição que eu posso dar ao longa é: episódio estendido da animação homônima.

João Paulo

Liga da Justiça é um filme problemático. Ótimos atores e ótimos heróis são desperdiçados em uma história fraca e episódica, que não justifica a união do grupo. O vilão é fraquíssimo e a computação gráfica muito, mas muito feia (o bigode do Henry Cavill parece ter sido removido no Paint). A montagem final é tão esquizofrênica que lembra aqueles fan-films feitos para o YouTube com montagem de vários outros filmes. Mas enfim, resultado previsível após troca de diretor, roteiro reescrito com o filme pronto, refilmagens e executivo metendo o bedelho no trabalho alheio. Zack Snyder tinha uma visão para a coisa toda. Ela era a mais pop? Certamente não. Ela tinha problemas? Vários. Mas era uma visão. Faltou coragem a Warner/DC em bancá-la. O resultado? Um filme ruim com bons personagens/atores, que faz a gente sair do cinema com aquele sorriso amarelo de quem quer tentar justificar para si mesmo que o filme não foi tão ruim assim. Mas dessa vez meu “eu-fã” não conseguiu convencer meu “eu-razão” sobre muita coisa…

Otávio Gaudencio

Liga da Justiça é um bom filme, mas para o que esse evento necessitava – tanto para o estúdio quanto para os fãs – é extremamente minimalista e fraco. Não há o impacto, não é grandioso, é simplista e despretensioso com a intenção de ser.

Yuri Resende

Após o sucesso arrasa-quarteirão de Mulher-Maravilha, a DC novamente acertou em uma adaptação para as telonas. O casting bem feito somado às respectivas personalidades das personagens desenvolvidas no roteiro confere ao longa um dinamismo bacana que, ao fim e ao cabo, deseja mesclar o famigerado “tom sombrio” (alguém realmente sabe o que isso significa?) característico da DC com o clima mais leve, bem humorado, encontrado em excesso nos filmes da Marvel. Pois bem, Snyder plasmou o filme de forma que agradasse os fãs mais devotos e o público em geral. Não acredito que estejamos diante de uma cópia da fórmula desprezível da Marvel, mas sim de um meio-termo que, se continuar sendo bem trabalhado, será uma verdadeira trilha para os ovos de ouro sem deixar para escanteio a beleza da sétima arte.

Rafael Serfaty
João Paulo
Otávio Gaudencio
Yuri Resende
EDITADO PORRafael Serfaty, Yuri Resende
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Rafael Serfaty

Carioca de gema, estuda Psicologia na UFRJ e é cinéfilo de carteirinha. Assiste de tudo, do pipocão ao cult, sendo grande fã de Alfred Hitchcock.