Mulheres problemáticas e donas de si

Admiro as mulheres taxadas de problemáticas, as insurretas de cada dia que são donas de si. Os olhares ora sinceros ora dissimulados destas criaturas magníficas fazem a vida tomar contornos menos entediantes numa tarde cerrada de segunda-feira. Ao leitor, alerto, contudo, para os perigos desta espécie cada vez mais rara nesta decadência ininterrupta que vivenciamos.

Observe que as ditas problemáticas pouco se importam com nossos egos diamantados. Elas querem para si a provocação singela do cotidiano, o desejo incessante de estar no comando de cada sinuosidade de uma relação hipotética ou real. Esmagar os corações machistas e comê-los na janta com salada de beterraba constitui um hobbie dos mais perigosos para os conservadores que por aí vagam com assobios e cantadas imprudentes. Merecido castigo!

Amar uma mulher que não se submete é a trilha inequívoca do tradicional cavalheiro para a tão sonhada ruína. De suas sentenças com poucas vírgulas e muitos pronomes, ecoam apenas as incertezas dos sentimentos alheios que assassinam lentamente a esperança de uma reciprocidade vívida. Erradas? De modo algum. Após tanto tempo taxadas de bruxas problemáticas, nada mais justo que enlouqueçam impiedosamente cada homem desatento.

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Renato Melmoth

Renato Melmoth é carioca, morador da Tijuca, existencialista e acredita plenamente no amor desde que não esteja envolvido.