Formado em 1992, os mineiros do Pato Fu se destacaram pela qualidade do rock que produziram logo em seus primeiros anos de carreira. Hoje, o grupo composto por Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Glauco Nastacia e Lula Camargo acumula 11 discos de estúdio, 2 ao vivo e 5 DVD’s.

Ao longo dos mais de 20 anos de estrada, o Pato Fu nunca se escondeu da missão de mostrar sua própria cara, seja com canções autorais (‘Perdendo Dentes’, ‘Sobre o tempo’, por exemplo) ou com regravações (‘Ando Meio Desligado’, dos Mutantes).

Surfando em ondas experimentais, em 2010, surgiu o ‘Música de Brinquedo’, trabalho que rendeu disco de ouro à banda e acabou se transformando em DVD um ano depois. O sucesso do criativo projeto foi tamanho, que a banda o retomou após o potente ‘Não pare pra pensar’, lançado em 2014.

Lançado no último dia 01 de Setembro pela DeckDisc, ‘Música de Brinquedo 2’ faz releituras de sucessos que vão de ‘Palco’, de Gilberto Gil a ‘Não se Vá’, da dupla Jane e Herondy. O álbum possui ainda as gringas ‘Every Breath You Take’, do The Police e até ‘Datemi Un Martello’ da italiana Rita Pavone.

O Grupo Quinquilharia bateu um papo com exclusividade com a vocalista da banda, Fernanda Takai, que gentilmente respondeu nossas perguntas via e-mail. Confira a entrevista na íntegra logo abaixo.

Arte de divulgação da regravação da canção ‘Every breath you take’, presente no álbum ‘Música de Brinquedo 2’.

Quais foram os principais desafios da banda para extrair os sons dos instrumentos de brinquedo?
A adaptação à escala muito reduzida deles e também aceitar as imperfeições e desafinações de cada um. Quando tocados juntos, a textura sonora disfarça esse problema. Outro desafio é captar a sonoridade de modo que fosse mantida a identidade dos brinquedos e miniaturas.

Qual foi a inspiração para a realização destes projetos?
Foi um CD que compramos em Londres, em 1995, que tem a Turma do Snoopy cantando The Beatles com as vozes dos dubladores originais e sonoridade de brinquedo. Durante muito tempo achamos aquilo a coisa mais fofinha do mundo, mas o Pato Fu ainda estava construindo uma discografia. Guardamos a ideia até 2009!

Quanto à produção, comparado ao primeiro trabalho de vocês com esse propósito, foi mais fácil ou mais complexo visto que vocês foram muito bem sucedidos no primeiro álbum?
Acho que o processo de gravação foi menos complicado, aprendemos muito nesses sete anos que separam um disco do outro. Escolher um repertório ainda mais ousado foi o grande passo, em minha opinião. E também tivemos que encontrar outras crianças pra participar, pois nossos cantores-mirins do primeiro álbum hoje tem quatorze anos…

Qual a canção que vocês mais gostaram após a gravação? Houve alguma que ficou de fora?
Eu gosto muito de “Palco”, acho perfeita pra abrir o disco e o show, além do Gilberto Gil ser um artista muito especial e querido. Uma música do Led Zeppelin não foi autorizada, o que abriu espaço pra “Private Idaho” – que eu gosto mais.

Nas redes sociais vimos o Gilberto Gil e o Genival Lacerda elogiar as versões de ‘Palco’ e ‘Severina Xique-Xique’. Como vocês recebem esse retorno vindo dos intérpretes das canções originais?
A Maria Alcina também mandou um recadinho pra gente! O Leo Jaime que compôs o “Rock da Cachorra” falou no programa de rádio dele… Ficamos muito honrados por terem gostado da ideia das nossas versões de brinquedo. Tão bom ter esse tipo de retorno de pessoas que estão na estrada há tanto tempo e não perderam esse tipo de atitude.

Alguns hits atemporais foram regravados brilhantemente por vocês nos dois discos. Neste, aparece ‘Every Breath You Take’, do The Police. Como é essa tarefa de dar nova roupagem a canções consideradas clássicas com qualidade e deixando as impressões autorais de vocês enquanto conjunto?
O que tentamos fazer é ser muito fiel ao arranjo original, ao contrário do que fazemos com as versões de outros artistas em nossos discos “convencionais” – quando mudamos bastante o formato das canções. Acho que a sonoridade de brinquedo é tão surpreendente e simpática que atua de um jeito muito positivo na cabeça das pessoas.

Haverá registro em DVD com o Música de Brinquedo 2?
Certamente, mas não agora. A gente deve fazer como da outra vez: viajar bastante com o espetáculo e só depois registrá-lo do jeito mais legal possível. Isso não acontecerá antes de um ano na estrada…

O Quinquilharia agradece a disponibilidade de vocês e deseja muito sucesso. Por fim, como é de praxe em nossas entrevistas, gostaríamos que vocês indicassem algumas obras para nossos leitores.
Indico um curioso tributo on line que algumas bandas fizeram para comemorar os nossos 25 anos de Pato Fu: O Mundo Ainda Não Está Pronto, volume I e volume II. Pra quem gosta de ler: Descobri Que Estava Morto, João Paulo Cuenca. Para assistir: O Guardião Invisível, suspense policial, Espanha.

*Texto por Paulo César Desidério. Entrevista por Yuri Resende e Paulo César Desidério.

EDITADO PORYuri Resende
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Paulo Cesar

Repórter, poeta, cronista, amante de música, literatura, futebol e jornalismo.