O dia em que Roman Polanski tietou Jorge Amado

Tendo feito sucesso mundo afora com os seus livros, traduzidos para mais de 48 línguas, e tendo morado por um tempo em Paris, quando exilado, Jorge Amado conhecia e tinha contato com muitas personalidades de nível mundial. O escritor José Saramago, o filósofo Sartre, o músico e artista Harry Belafonte e a escritora francesa Simone de Beauvoir são alguns dos nomes que aparecem ao lado de Jorge Amado em algumas imagens do acervo pessoal do escritor. Roman Polanski também é um deles.

O cineasta francês se encontrava no Rio de Janeiro em 1973 e por meio de um intermediário, enviou um telegrama para a “casa do rio vermelho”, refúgio de Jorge Amado e Zélia Gattai em Salvador. No telegrama, um pedido para uma visita rápida, naturalmente aceita. Polanski se dirigiu a Salvador na companhia de “um rapaz alto, trajando bermudas, um chapeuzinho branco enterrado na cabeça”. Palavras de Zélia. O teor de toda a conversa que ambos tiveram naquele dia não é conhecido, porém, há um trecho documentado pela esposa de Jorge que é extremamente significativo. Segundo a própria Zelia, disse Polanski a Jorge Amado:

“Eu desejava apertar-lhe a mão, queria dizer-lhe de toda a minha gratidão. Durante a minha juventude eu li seus livros, na Polônia, e eles me abriram as portas para a vida, me ensinaram, me fizeram feliz. Há muito eu esperava esta oportunidade. Muito obrigado.”

Ao ouvir essas palavras, emocionado, Jorge o abraçou. Zelia ficara encarregada dos registros da visita e as fotos que a documentam foram tiradas por ela. Enquanto ela tirava as fotos, o rapaz que foi na companhia de Polanski folheava uns livros de arte que se encontravam guardados numa arca na casa.

No dia seguinte ao da visita, Zélia leria nos jornais sobre o encontro entre Jorge Amado, Roman Polanski e Jack Nicholson. Sim, o rapaz de bermudas e chapéu branco, sem que Zelia sequer suspeitasse, se tratava do famoso ator norte-americano.

Para saber mais, indico:

Gattai, Zelia. Jorge Amado: um baiano romântico e sensual. Três relatos de amor. Rio de Janeiro: Record, 2002.

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Lucas Aquino

Nascido em Palmeira dos Índios-AL, guarda no coração as cidades de Maceió, Curitiba e Norwich, além de naturalmente a cidade em que nasceu. Bacharel e licenciado em Química pela Universidade Federal de Alagoas (2012) e Centro Universitário Claretiano (2013). Mestre em Química pela Universidade Federal do Paraná (2014). Atualmente, cursa o doutorado também em Química na mesma instituição, com passagem pela University of East Anglia. Tem interesses diversos que vão muito além da ciência.